Se me beijasse a Morte n'alva face

Se me beijasse a Morte n'alva face,
Exaurindo-me o fôlego da vida;
E se minh'alma fosse então subida
Aonde o Rei Celeste Se encontrasse;

E se a mim, de clemente, facultasse
O Grão Senhor Que a Terra tem regida 
Que eu pudesse a lembrança mais querida
Escolher porque em eterno desfrutasse;

Quantas vezes pudesse escolheria
Ao tempo regressar quando ardorosa
Amavas-me qual nunca fora amado;

Quando os beijos me davas de bom grado,
Jurando-me, em carícias, maviosa
Que nem a Morte a nós separaria.

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